"Colombiano vacilão", a novela

"Colombiano vacilão", a novela

Já posso visualizar a cena: eu deitada no divã falando pra minha terapeuta:

“A gente estava feliz, sabe? Mas aí do nada ele começou a ficar diferente….”

“Com você?”

“Comigo e com todo mundo”

“Mas quando exatamente você notou essa mudança?”

“Depois daquele jogo contra o Fortaleza…..aí veio aquela historinha da matéria feita pela mulher do empresário dele de que seria a despedida, que ele queria ir pra Europa…COMO ASSIM? Logo quando finalmente eu tinha aprendido a pronunciar o nome dele…”

“Dele quem?”

“Do Cuéllar, dra! Do Cuéllar!”

A novela Cuéllar piora tanto a cada capítulo que vão começar a chamá-la de Babilônia em breve. A trama é digna de qualquer folhetim: o personagem Gustavo Leonardo Cuéllar Gallego passou por momentos de imensa dificuldade – era banco do Márcio Araújo, logo, a segunda opção do Zé Ricardo – e quando nem o Zé Ricardo te escolhe é porque você está no fundo do poço mesmo.

Desiludido, o volante pensou em sair, mas após Rueda e Abel Braga, o colombiano se tornou titular no coração da Nação Rubro-Negra e quando estava prestes a ser o nome mais pedido em cartórios de todo o Brasil: Cuejár, Coelar, Cojá, Cuela (pronunciado mesmo como se escreve)… o personagem mudou sua narrativa e de mocinho tornou-se vilão.

O novo capítulo foi ao ar na segunda quando o volante foi reintegrado à equipe e viajou para o Sul. Ao que parece a proposta de 7,5 milhões de euros e quatro anos de contrato do Al Hilal, da Arábia Saudita continua de stand by após a desistência do Bologna, e o jogador/clube se pronunciarão na quinta-feira.

Como essa suposta despedida de Cuéllar está mais prolongada que do Exalta e Los Hermanos juntos, é provável que o jogo contra o Inter seja mesmo o último dele vestindo o manto sagrado. O mínimo que se espera é que ele jogue à altura e mantenha 100% do foco nesse que será o maior desafio do clube nos últimos anos.

Quer jogar na Europa? Vai lá, filhão. Quer jogar no grande mercado árabe? Boa sorte! Problemas familiares? Todo mundo tem família, a gente entende.

Mas precisava ter sido assim? É claro que não. Até mesmo o torcedor que
foi capaz de defender Abel Braga se sentiu traído com a postura do jogador. Ninguém aqui tem a ilusão de amor eterno, ainda mais se falando de negócios como é o futebol, mas essa postura ingrata, antiprofissional e burra de alguém que caiu nas graças da maior torcida do mundo era tudo o que ela não esperava – ou merecia.

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