"Copa Mick"

"Copa Mick"

Por Sam Brito

Quando eu era fã dos Backstreet Boys, a Flórida era pra mim apenas o lugar onde o Nick tinha nascido. Após o fim do nosso noivado mental, ela perdeu total importância – até o Flamengo ganhar a Florida Cup. Não, na verdade foi um pouco depois. Foi após levar essa taça e espalhar aos sete ventos que ganhou. Se o rubro-negro fosse a Susana Vieira, ele diria: “Desculpa, mas não tenho paciência pra quem tá começando e não ganhou a Florida Cup”. Ou se fosse a Rochelle de “Todo Mundo Odeia o Chris”: “Não preciso disso. O meu time tem 2 grandes títulos: a Florida Cup AND o Carioca”.
Mas, o real problema nem é esse, entende? Numa mentalidade “coachiana” a gente deve valorizar as nossas conquistas e “tals”, por menores que sejam. A questão é que diante desse cenário um pouco caótico e incerto que é a participação do Flamengo nas 3 maiores competições que está pleiteando, a diretoria simplesmente parece fazer vista grossa para o fato de Abel transformar o time rubro-negro numa espécie de “Breaking Bad” e fazer experimentações a cada partida cujo resultado é quase sempre uma droga. Tudo isso baseada no fato de estarmos falando do mesmo time que GANHOU A FLORIDA CUP.
E esse discursinho está bem enraizado na equipe e está na ponta da língua do seu comandante. Na coletiva do pós jogo contra o Atlético-MG, aquele jogo lamentável no Horto que perdemos por 2 a 1 jogando com um homem a mais – sem piadas com Pará hoje – , Abel deu mais uma de suas declarações que são um misto do final de “Game Of Thrones” – TÁ DE SACANAGEM, FILHO DA PUTA? – e “Westworld” – TU É UM ROBÔ, ABEL?
“(o Time do Flamengo) Jogou uma Florida Cup e ganhou, Taça Rio e ganhou, Carioca ganhou, só não ganhamos Taça Guanabara. Você perder para o Atlético aqui, como perdemos para o Inter lá, são resultados normais.”
Acho que essa diretoria devia colocar uma estrela a mais na camisa por causa dessa super-hiper-ultra-mega competição intergaláctica de apenas 4 times e que teve Uribe como artilheiro com a impressionante marca de 2 gols. Devia ter cancelado o calendário de jogos e se recusado a entrar em campo após integrar o Olimpo do futebol mundial. Zico não jogou a Florida Cup. SERÁ QUE FOI CRAQUE DE FATO? É o mesmo que eu vencer a Dança dos Famosos do Faustão e achar que estou apta a dançar no ballet Bolshoi: “Ah, não, mas pera aí, ganhei nota 10 do Carlinhos de Jesus dançando foxtrot. Ter caído no segundo ato de “O Lago dos Cines” é supernormal.”
Mas, pelo visto a minha indignação é compartilhada por uma parcela da torcida. Nos últimos dias os muros da sede da Gávea amanheceram pichados: COPA MICKEY É O CARALHO e a gente percebe que toda essa discussão é apenas a ponta do iceberg dessa atual gestão do Flamengo quando a resposta dada pelo Diretor de Relações Externas – que eu não vou nem me dar ao trabalho de citar o nome – disse: “Isso foi um ato político. Mickey estava escrito corretamente”. No dia seguinte os muros da Gávea foram pichados novamente, dessa vez assim: COPA MICK É O CARALHO. FORA ABEU. AGORA FOI UM ATO POLÍTICO TAMBÉM?
Talvez a declaração do diretor vire um texto em outra ocasião, mas o que temos de real é que o Flamengo está em 9º no Brasileiro; precisa garantir a classificação contra o Corinthians no próximo dia 4 se não será eliminado sem dó nem piedade nas oitavas da Copa do Brasil em uma participação “estilo golfinho”; e em julho terá 2 duelos decisivos contra o Emelec também pelas oitavas – dessa vez da Libertadores – e precisa garantir a classificação para dar mais um passo rumo ao título que não pisa na Gávea há 38 anos. Se o Flamengo tem chances reais? É futebol, tudo é possível. Só não é mais possível um time ter a audácia de pensar em conquistar o mundo e subir num salto alto que ele mesmo inventou, sendo que esse salto alto na verdade, não passa de um crocs.

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