“Mergulho ao caos”

“Mergulho ao caos”

Saudações, Flacasters! Eis que vos escrevo outra vez, seu humilde servo, André Zotês, em mais um Bardo Rubro Negro. Não me alongarei muito que hoje o ambiente não está para trovas.

Decidi que o espaço aqui abordará um pouco mais da nossa parte tática, neste momento. Sim, porque parece que o nosso comandante Abel não andou estudando as táticas em que parece ter se espelhado ultimamente. Um time repleto de atacantes sem peças suficientes em seu meio campo, capazes de municiar estes soldados que se atiravam como loucos ao adversário. Os ataques kamikazes na Segunda Guerra acertaram apenas 11,6% de seus alvos, ou seja, não se mostraram totalmente eficazes, embora tenham causado alguns estragos. E o pior foi que muitos japoneses morreram sem acreditar fielmente em seus supostos ideais, somente foram “convidados” ao sacrifício pela pátria e imperador. Isso mesmo: vimos no Horto um bando que parecia não acreditar em sua própria proposta e que foi posto ali simplesmente para se matar e salvar seu técnico.

É verdade que houve falha de Rodrigo Caio no primeiro gol, onde Renê teve sua parcela de culpa ao recuar a jogada vendo que o Atlético pressionava a saída de bola. Méritos também para a frieza de Cazares, ao driblar a nossa dupla de zaga dentro da pequena área e deslocar Diego Alves, antes de finalizar ao gol. Ainda houve a “assistência” na cabeçada de Léo Duarte no segundo gol, onde a meu ver, não houve falha do Diego Alves e sim, felicidade na finalização do Chará. A bola foi veloz e forte e o lance estava mais próximo do que ao do gol de Van Basten (citado como comparação por alguns), marcado na final da Euro 88. Mas, inegável realmente foram as escolhas de nosso treinador que se mostraram inoportunas. Principalmente por estarmos jogando com um a mais em toda a etapa complementar. A boa apresentação do primeiro tempo, onde reagimos imediatamente ao gol que levamos e que parecia um jogo em nossa casa foi por água abaixo. Como um avião que falhou em seu alvo e afundou no mar.

Terminamos a partida num 424, com Éverton Ribeiro e Arão no meio e Cuéllar, morto (é duro ser o Multi Homem), na zaga, no lugar de Léo Duarte. Quando este saiu, estivemos num “falso” 3223 que virava um 4123. Muitos números, nas formações, estatísticas ou “chuveirinhos” que de nada adiantaram. A vontade de ganhar dos mineiros sobrepujou a nossa. Não adianta ficar contando sempre com o talento individual de nossas peças sem ter um pouco de estratégia coletiva, isso é fato. Arrascaeta apagado de novo, Éverton Ribeiro sozinho na criação (Diego fez falta, estava suspenso), Gabigol sem gol e Bruno Henrique com ele, foi insuficiente. Constatações que ilustram a urgência de alternativas para nossos jogos. Por que não usar Trauco como meia, se já sabemos que ele tem capacidade e atuou assim na seleção peruana? Teríamos mais criatividade no meio campo e até para os “batidos” cruzamentos essa opção nos atenderia melhor. Faltou coerência e sensibilidade, sobrou teimosia e desespero.

Com isso, volto a afirmar: esse é o preço que estamos pagando por não ter sido treinado determinadas situações quando podíamos. O técnico não foi o maior culpado nesta derrota, mas com certeza contribuiu. Seja em campo ou nas entrevistas que têm sido falhas tanto como a nossa defesa tem “bugs” nas piores horas. O problema não está em perder fora e sim, em como se perdeu. Está em querer normalizar isso. Quem quer ser campeão tem que fazer além. Resta saber até quando a Diretoria vai agüentar pagar essa conta.

Rapidinhas

Se há a tal meritocracia na Gávea, não seria hora de mais César no gol? Trauco na esquerda? Thuler? Se Gabi”cadê o gol” e Arrascaeta não acordarem, Lincoln e Diego tomam suas vagas. Caso Cuéllar não possa jogar no próximo domingo, temos o Piris.

Reinier volta das férias porque já vimos que precisamos de criação. Não me venham com essa de que ele é novo, estamos carentes disso.

E botem o João Lucas, ex-Bangu pra jogar enquanto rola esse lenga lenga com o Rafinha! Felipe Luís é bônus.

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